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Linguagem

Quando se lida com alguém cuja língua mãe não é a nossa, há que
ter um especial cuidado no sentido de nos certificarmos de que nos conseguimos entender. No entanto, os problemas também podem surgir quando pensamos que estamos a falar a mesma linguagem. Podemos ser levados a pensar que ambas as partes se entendem perfeitamente e, provavelmente, não tomamos muita atenção ao que realmente se quer dizer. Quantas vezes não surgiram problemas, devido a mal entendidos que passaram despercebidos no decurso de uma conversa?

Linguagem específica

Cada empresa tem a sua linguagem específica, uma linguagem utilizada apenas por um grupo de pessoas específico. Os juristas e os informáticos são bem conhecidos por utilizar linguagens específicas, mas qualquer pessoa que trabalhe numa área especializada pode cair nessa armadilha. A linguagem específica é útil quando sabemos que os outros também a falam, mas pode causar problemas quando cada lado pensa que percebe o que o outro diz e não verifica se isso realmente acontece.

Formas de assegurar a compreensão:

■ Nunca se deve partir do princípio de que ambos os lados têm os mesmos pressupostos; certifique-se sempre se há compreensão mútua.
■ Evite as abreviaturas e as versões resumidas; todas as explicações devem ser claras, especialmente quando se lida com um perito numa área técnica específica.
■ Não deixe que o ego interfira neste processo. Há quem pense que quando se faz uma pergunta se está a admitir a própria ignorância, mas fingir-se ser um conhecedor pode trazer problemas mais tarde.
■ Motive os outros a pedir esclarecimentos sobre o que foi dito e não ficou totalmente claro.
■ Não se esqueça que «Menos é mais». Os melhores comunicadores utilizam uma linguagem simples e clara.

EXERCÍCIO

Lembra-se de alguns exemplos de linguagem específica, abreviaturas ou terminologia técnica utilizados na sua empresa?
O que poderia fazer para tornar claros estes exemplos quando comunica com outras pessoas de fora da sua empresa?

Linguagem vaga

Outra área problemática é aquela em que um ou ambos os lados utilizam uma linguagem vaga ou inexacta. Isto pode ser apenas por falta de cuidado, mas também pode ser o reflexo da relutância no empenho em definir uma acção ou os seus termos. A falta de clareza pode ser ainda usada para disfarçar o facto de não se possuir realmente a autoridade para fazer uma certa concessão, isto é para não querer dizer “não”. Numa negociação, a linguagem não pode ser vaga. Esta conduz invariavelmente ao mal-entendido relativamente ao que se pede ou ao que ficou acordado. Quando deparamos com este tipo de linguagem, devemos pedir educadamente à pessoa que seja mais precisa naquilo que quer dizer. A tabela abaixo dá alguns exemplos deste tipo de linguagem, e explica por que razão eles constituem um problema. Enquanto lidamos com os outros, devemos estar atentos e pensar na forma como eles poderiam expressar-se com mais clareza. Finalmente, devemos pensar se nós próprios usamos ou não uma linguagem vaga nas negociações.

O QUE SE DIZ QUAL É O PROBLEMA
A.S.A.P. (As Soon As Possible = O mais rápido possível) Significa “o mais rápido possível”, mas não é entendido como tal. Estabeleça um prazo definitivo
Quando tiver tempo. Isto acaba por se tornar numa tarefa não prioritária que nunca vai ser realizada. Estabeleça um prazo definitivo
No fim da semana. Pode significar tempos diferentes para pessoas diferentes. Estabeleça um prazo definitivo.
Penso que não há problema. Parece incerto. Seja mais explícito.
Já vou tratar disso. Quando?
Isto é relativamente importante Ou é importante ou não é. Se o é, diga-o.